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Uma análise do remake de Havaí 5-0 24/09/2010

Posted by spockhur in Estreias na TV, tv.
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O remake de Havaí 5-0 estreou no dia 20/09 nos EUA e conseguiu uma ótimos índices de audiência, sendo considerado uma das grandes promessas da temporada.

Pude assistir ao episódio piloto e gostaria de fazer algumas observações sobre a série. Não pretendo escrever um review, mesmo porque vários outros blogs e sites o fazem com muito mais propriedade. Quero apenas analisar o remake, como um fã do seriado original, fazendo algumas comparações e observações que, pelo menos nas resenhas que li, ficaram faltando. E isso se deve mais pelo pouco conhecimento sobre a série clássica e sobre estilo das antigas produções.

Para quem não conhece o enredo do remake, Steve McGarrett (Alex O’Loughlin) tem seu pai assassinado por um terrorista. Então, retorna ao Havaí, estado onde nasceu. Convidado pela governadora (Jean Smart) para comandar um grupo de elite da polícia havaiana, com completa imunidade e carta branca para agir nas ilhas. Ao longo dos acontecimentos, entram para a equipe Danny Williams (Scott Caan), Chin Ho Kelly (Daniel Dae Kim) e Kono Kalakaua (Grace Park).

Nesse episódio piloto, McGarrett persegue o terrorista (James Masters), assassino de seu pai. As muitas cenas de ação são o destaque à primeira vista. Acredito até que, mesmo ao comparamos a séries que seguem (ou seguiam) esse estilo, como 24 Horas, por exemplo, foi um pouco exagerado. A verdade é que 45 minutos pareceram insuficientes para a estória. Como em muitos pilotos, umas duas horas poderiam ser mais adequadas. De qualquer forma, a série causou uma boa impressão no público em geral e deverá ser um dos grandes sucessos da CBS nessa temporada.

A partir desse enredo, já é possível fazer perceber algumas grandes modificações com relação ao seriado original. A começar pela personagem Kono, que não era uma mulher, mas um homem, além de não ter parentesco com Chin. E não era uma governadora, mas um governador. Essas sutis mudanças podem ser explicadas pela presença feminina limitada que existia e que conseguiu ser muito bem revertida. Outra questão é a relação entre McGarrett e Williams, que começou conturbada na nova versão, contrastando com a forte amizade que possuíam originalmente. Mas isso provavelmente será desenvolvido nos próximos episódios.

Outro ponto a ser comentado é a já citada ação. Não que a série clássica não possuísse, mas não era tão onipresente. A equipe do 5-0 conseguia capturar os criminosos que apavoravam as ilhas havaianas nem sempre pelo uso da força, mas principalmente pela inteligência. Algo que podemos até mesmo comparar com C.S.I., mas sem a tecnologia avançada, é claro. Esse aspecto não esteve tão evidente e espero que acabe sendo mais bem utilizado nos próximos episódios.

As séries atuais possuem a tendência de explorar as relações pessoais de seus personagens. Com Hawaii Five-O, ou Havaí 5-0, como prefiro chamar, isso não foi diferente. Nas décadas de 50, 60 e grande parte dos 70, a maioria dos seriados policiais pouco mostrava a vida fora do trabalho dos personagens, dando a entender justamente que os homens da lei se dedicavam tanto ao dever que não tinham vidas particulares. A versão original também pouco mostrou esse aspecto. Em um episódio conhecemos a irmã de McGarrett, que está sendo enganada por uma médica fajuta (ela irá aparecer na nova série); em outro, uma namorada de Danno é assassinada, e por aí vai. Foram apenas estórias esporádicas ao longo das 12 temporada em que ficou no ar. Na versão 2010, temos o pai de McGarrett assassinado, a presença da filha de Danny, entre outros, que ajudam a renovar o enredo.

Agora, gostaria de citar alguns elementos semelhantes a versão original. A começar pelo tema. Composto por Morton Stevens para o seriado em 1968, tornou-se sucesso em todo o mundo ao ser regravada pela banda The Ventures. Uma roupagem mais moderna foi dada à música, mas a original ainda continuará sendo a mais popular. A abertura foi uma clara homenagem à série. Para quem já assistiu, são rápidas cenas que remetem à sequência antiga, como as famosas ondas, o zoom em McGarrett na sacada de um edifício, a turbina de avião, a dançarina havaiana, os homens dançando com fogo…

Outra referência é o edifício que serve de base para a equipe, o mesmo utilizado nos anos 60 e 70. Na verdade, aquele é o Iolani Palace, antigo palácio da monarquia havaiana e sede do Estado, sendo atualmente um museu. Mas o que mais chamou a atenção de qualquer fã foi a famosa fala de McGarrett, antes dita por Jack Lord em centenas de episódios, e agora por Alex O’Loughlin: “Book’em Danno!”.

Não posso também deixar de citar a importância que a produção de Havaí 5-0 teve e terá para o Havaí. No final da década de 60 e, principalmente, 70, o turismo nas ilhas cresceu consideravelmente, muito devido à exposição das belezas locais para o mundo, movimentando a economia. Foi a primeira série a ser inteiramente filmada no Estado e a estrutura montada foi aproveitada por outros programas, como Magnum, que veio logo em na sequência e também ajudou o turismo por lá. A expectativa é que a nova versão influencie da mesma maneira e deixe muitas pessoas pelo planeta com vontade de conhecer de perto os cenários havaianos.

Finalmente, posso concluir que Hawaii Five-O tem um certo espírito da série original. Entretanto, ainda é cedo para afirmar qualquer coisa. Acredito que nos próximos episódios o seriado mostrará a que veio. A ação alucinante não poderá ser mantida – acabará cansando o espectador, uma vez que assistir a tantos tiros, socos e explosões, semana após semana, acaba realmente desgastando. A opção, ao meu ver, é justamente acrescentar um dos melhores elementos do seriado antigo: a inteligência, a perspicácia dos personagens, demostrada em ótimos roteiros, com estórias surpreendentes e que, mesmo sem toda a parafernália tecnológica atual, conseguia prender a atenção de quem assistia. Quem nunca viu nenhum episódio do original, recomendo assitir um, pelo menos para comparar.

Espero que o sucesso de Hawaii Five-O continue por toda a temporada e que se torne um dos maiores destaques do gênero nessa temporada. Com certeza tem chances para tanto.

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